DJs SÃO CONDENADOS POR LAVAGEM DE DINHEIRO EM ESQUEMA QUE MOVIMENTOU R$ 185 MILHÕES EM MT
Quatro pessoas foram condenadas pela Justiça de Mato Grosso por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 185,9 milhões em recursos de origem ilícita ao longo de nove anos. Entre os condenados estão os DJs Diego de Lima Datto e Patrike Noro de Castro, além de Jackson Luiz Caye e Marco Antonio Santana.
A sentença foi proferida pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, no fim de agosto. Segundo a decisão, os valores teriam origem em crimes como tráfico de drogas, contrabando e comércio ilegal de armas.
Os quatro foram condenados por lavagem de dinheiro, mas absolvidos da acusação de associação criminosa. O magistrado também garantiu aos réus o direito de recorrer em liberdade e revogou a prisão preventiva que havia sido decretada contra Marco e Patrike.
PENAS
Diego de Lima Datto foi condenado a cinco anos de reclusão, além do pagamento de 16 dias-multa. O regime inicial estabelecido foi o fechado. O período em que ele permaneceu preso provisoriamente e o cumprimento de medidas cautelares serão considerados no cálculo da pena durante a fase de execução.
Patrike Noro de Castro recebeu pena de cinco anos de reclusão e 16 dias-multa, com regime inicial semiaberto. O tempo de prisão provisória também deverá ser descontado no cálculo da pena restante.
Já Jackson Luiz Caye foi condenado a quatro anos de reclusão e 13 dias-multa, com regime inicial semiaberto.
Marco Antonio Santana recebeu a mesma pena: quatro anos de reclusão e 13 dias-multa, também em regime inicial semiaberto.
MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS
De acordo com a sentença, as investigações identificaram movimentações financeiras que totalizaram exatamente R$ 185.912.857,03 durante o período analisado.
A Justiça considerou como elementos para comprovar a origem ilícita dos recursos a suposta participação dos envolvidos em atividades criminosas lucrativas e contínuas, a ausência de comprovação de renda lícita compatível com os valores movimentados e a falta de justificativas para diversas operações financeiras.
A decisão aponta ainda que Diego e Jackson não apresentaram declarações de Imposto de Renda compatíveis com as quantias movimentadas. Marco, por sua vez, teria declarado patrimônio de R$ 22,8 mil, enquanto, em relação a Patrike, não foram encontrados registros contábeis, notas fiscais ou escrituração capazes de justificar as operações analisadas.
SUSPEITA DE VENDA DE DROGAS EM FESTAS
Os quatro condenados já haviam sido presos em 2019 durante uma investigação que apurava a suspeita de comercialização de drogas sintéticas em festas e também por meio de entregas em domicílio, em Cuiabá. Na época, segundo a polícia, os entorpecentes eram vendidos durante eventos em que os DJs eram contratados para tocar.
As investigações apontaram ainda que as drogas poderiam ser adquiridas à vista ou parceladas no cartão de crédito. Durante a prisão de Diego e Patrike, foram apreendidos entorpecentes, joias, anabolizantes, equipamentos eletrônicos e celulares, além de dois veículos que, segundo a polícia, seriam utilizados para a entrega das drogas.
Em 2025, Diego voltou a ser alvo de uma operação que investigou um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Na ocasião, ele foi apontado como responsável por um grupo que, conforme as investigações, movimentaria recursos provenientes do tráfico de drogas e de outros crimes.
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