OPERAÇÃO JANUS: POLÍCIA CIVIL INVESTIGA USO DE CESTAS BÁSICAS EM ESQUEMA DE LAVAGEM DE DINHEIRO DE FACÇÃO
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (23.9), a Operação Janus, que investiga um núcleo de uma facção criminosa suspeito de utilizar empresas do ramo alimentício e a distribuição de cestas básicas para movimentar e dar aparência de legalidade a recursos provenientes de atividades criminosas.
Ao todo, são cumpridas 14 ordens judiciais, sendo 11 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens móveis e imóveis relacionados aos fatos investigados. Os alvos são investigados pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá e são cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, em Mato Grosso, e em Goiânia, capital de Goiás.
A operação é conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), com apoio da Delegacia Regional de Rondonópolis, da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz) e da Polícia Civil de Goiás.
CESTAS BÁSICAS COMO ESTRATÉGIA DE ASSISTENCIALISMO
As investigações começaram a partir da análise de materiais apreendidos em ações anteriores da GCCO/Draco. A apuração permitiu identificar integrantes de uma facção criminosa que, segundo os elementos reunidos, continuavam articulando atividades ilícitas mesmo quando alguns deles estavam custodiados.
De acordo com a investigação, empresas formalmente constituídas para atuar no comércio de alimentos e cestas básicas eram utilizadas pelo grupo para movimentar recursos e criar uma aparência de legalidade para valores de origem ilícita.
A distribuição dos alimentos também teria sido incorporada à atuação do núcleo criminoso como uma forma de assistencialismo direcionada a integrantes e simpatizantes da facção.
Os investigadores apontam que os recursos empregados na aquisição das cestas básicas seriam provenientes, direta ou indiretamente, de atividades criminosas, principalmente tráfico de drogas e golpes virtuais. Posteriormente, os valores seriam inseridos em operações comerciais simuladas para ocultar ou dissimular sua origem.
INVESTIGAÇÃO APONTOU MOVIMENTAÇÕES MILIONÁRIAS
Durante a apuração, os policiais identificaram diferentes funções desempenhadas pelos integrantes do grupo. Enquanto alguns seriam responsáveis pela obtenção e movimentação dos recursos, outros atuariam na compra dos alimentos e na logística de distribuição das cestas.
Um dos investigados é apontado como responsável pela organização da distribuição dos alimentos e pelo uso do assistencialismo como estratégia para fortalecer a presença territorial da facção.
A investigação patrimonial também identificou empresas que teriam dado suporte à estrutura. Uma delas, localizada em Várzea Grande, movimentou R$ 13,2 milhões ao longo de quatro anos, conforme os elementos analisados no processo, embora, segundo a investigação, não apresentasse estrutura física compatível com a atividade empresarial declarada.
Também foram encontradas movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada de alguns dos investigados. Em um dos casos, foram identificadas movimentações superiores a R$ 36 milhões em contas de uma investigada. Em outro, as movimentações ultrapassaram R$ 4,7 milhões.
DESCAPITALIZAÇÃO DO GRUPO
Além das buscas, a Justiça determinou medidas para preservar e atingir o patrimônio relacionado aos fatos investigados. Entre elas está o sequestro de um veículo e de um imóvel localizado em Goiânia (GO).
As medidas buscam interromper o fluxo financeiro que, conforme a investigação, seria utilizado para sustentar atividades ilícitas e a estrutura de assistencialismo empregada pelo grupo criminoso.
Os materiais e documentos apreendidos durante a operação serão analisados pela Polícia Civil. As investigações continuam para o completo esclarecimento dos fatos, identificação de outros envolvidos e reunião dos elementos necessários à conclusão do inquérito policial e à responsabilização dos investigados, conforme o resultado das apurações.
NOME DA OPERAÇÃO
A Operação Janus recebeu esse nome em referência a Jano, deus da mitologia romana tradicionalmente representado com duas faces.
A denominação faz alusão à dupla finalidade atribuída ao núcleo investigado: enquanto a distribuição de cestas básicas apresentava uma aparência de assistencialismo, a estrutura também teria sido utilizada para movimentar recursos de origem ilícita e ampliar a influência territorial da organização criminosa.
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