GAECO CUMPRE BUSCA NA TERRANA EM VÁRZEA GRANDE DURANTE OPERAÇÃO QUE INVESTIGA SUPOSTA LAVAGEM DE DINHEIRO
Diligência integra desdobramento da Operação Carbono Oculto e apura movimentações financeiras relacionadas à aquisição da distribuidora de combustíveis
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu, nesta quinta-feira (24), um mandado de busca e apreensão na unidade da Terrana, nome pelo qual é conhecida a Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá.
A ação faz parte da Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal, com apoio do Gaeco de Mato Grosso.
A investigação apura uma suposta estrutura financeira e societária utilizada para movimentar recursos, ocultar patrimônio e dificultar a identificação dos reais controladores de ativos relacionados à aquisição da distribuidora.
MANDADO FOI CUMPRIDO NO JARDIM ELDORADO
Em Várzea Grande, a ordem judicial foi cumprida na unidade da empresa localizada na Avenida Júlio Domingos de Campos, no bairro Jardim Eldorado.
A Terrana atua na distribuição de combustíveis como gasolina, diesel e etanol para postos e empresas da região.
Segundo as informações divulgadas sobre a operação, a diligência tem como objetivo recolher documentos e outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento do fluxo financeiro investigado.
Até o momento, não há informação oficial de que a Terrana seja apontada como integrante da organização criminosa investigada. A empresa aparece no contexto das apurações relacionadas à estrutura financeira utilizada, segundo os investigadores, para viabilizar sua aquisição.
MAIS DE R$ 120 MILHÕES TERIAM PASSADO PELA ESTRUTURA
De acordo com o Gaeco, a investigação identificou uma complexa movimentação financeira envolvendo fundos de investimento, empresas e contas utilizadas como intermediárias.
Os investigadores apontam que mais de R$ 120 milhões teriam circulado por diferentes estruturas antes de os recursos chegarem à operação relacionada à aquisição da distribuidora.
Entre as estruturas mencionadas na investigação estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings e Branson Holdings.
A suspeita é de que essas estruturas tenham sido criadas ou utilizadas para dificultar a identificação dos beneficiários efetivos das operações.
INVESTIGAÇÃO ENVOLVE BILHÕES EM MOVIMENTAÇÕES
Além dos valores relacionados diretamente à aquisição da distribuidora, informações sobre a operação apontam que a investigação identificou aproximadamente R$ 11,6 bilhões em movimentações financeiras associadas à estrutura investigada.
O montante representa o volume financeiro analisado no contexto mais amplo da apuração e não significa, necessariamente, que todo o valor corresponda a recursos de origem ilícita.
A investigação busca justamente identificar a origem, o destino e a finalidade das movimentações financeiras realizadas pelas empresas, fundos e pessoas envolvidas.
QUEM SÃO OS ALVOS DA OPERAÇÃO
Entre os alvos da nova fase estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, e os irmãos André e Bruno Tupinambá.
Também é alvo Antonio Carlos Freixo Junior, empresário e proprietário da Entre Investimentos, que firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.
Os investigadores também apontam Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, como supostos líderes da organização criminosa investigada. Os dois, contudo, não estão entre os alvos dos mandados cumpridos nesta terceira fase.
OPERAÇÃO É DESDOBRAMENTO DA CARBONO OCULTO
A Operação Crédito Oculto surgiu a partir das investigações da Operação Carbono Oculto, que apura a possível atuação de organizações criminosas no mercado de combustíveis e suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e ocultação patrimonial.
A nova etapa concentra esforços na estrutura financeira que, segundo os investigadores, teria sido utilizada para viabilizar a aquisição da Terrana e ocultar os beneficiários dos recursos envolvidos.
A operação alcança endereços em sete estados.
MATERIAL APREENDIDO SERÁ ANALISADO
Com o cumprimento dos mandados, os investigadores deverão analisar documentos e demais materiais recolhidos para reconstruir o fluxo dos recursos e identificar os responsáveis pelas operações.
A partir dessa análise, a investigação poderá apontar a eventual participação de outras pessoas físicas ou jurídicas e esclarecer o papel de cada estrutura financeira no esquema investigado.
A presença do Gaeco na unidade da Terrana em Várzea Grande, portanto, está inserida em uma investigação mais ampla sobre movimentações financeiras e estruturas societárias relacionadas ao mercado de combustíveis.
As apurações seguem em andamento, e eventuais responsabilidades deverão ser definidas a partir dos elementos reunidos durante a investigação e das demais medidas determinadas pela Justiça.
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